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Mandelli Clínica Integrada

Tricologia

Queda de cabelo:
a pergunta certa é qual

"Está caindo muito" é sintoma, não diagnóstico. Antes de qualquer tratamento é preciso saber de que tipo de queda se trata — e os tipos têm condutas opostas.

Cair faz parte do ciclo

Cada folículo funciona de forma independente, num ciclo de três fases: anágeno, o crescimento, que dura anos; catágeno, uma regressão de poucas semanas; e telógeno, o repouso de alguns meses, ao fim do qual o fio se solta e outro começa a crescer no mesmo lugar. Em condições normais, a grande maioria dos folículos está em anágeno e uma fração pequena em telógeno.

Cair, portanto, é fisiológico. A faixa mais citada é de até cerca de cem fios por dia, mas o número isolado diz pouco — varia com a frequência de lavagem, com o comprimento e com o quanto a pessoa está reparando. O que importa é a mudança em relação ao seu padrão, o calibre do fio que cai e se há redução de densidade.

Os dois grandes caminhos

 Queda difusa (eflúvio)Miniaturização (androgenética)
Como apareceAumento súbito e generalizado da quedaAfinamento lento, em padrão, sem queda dramática
O fio que caiCalibre normal, com bulbo esbranquiçadoCada vez mais fino e curto
Tempo até aparecerDois a três meses depois do gatilhoAnos
O que se vê na tricoscopiaMuitos fios curtos em crescimento; sem grande variação de calibreVariação de calibre entre fios vizinhos; menos fios por unidade folicular
ReversibilidadeAlta, quando a causa é corrigidaProgressiva se não tratada; tratamento é de manutenção

As duas coexistem com frequência — e é essa combinação que costuma confundir. A queda súbita chama atenção, o tratamento é iniciado, a queda passa, e o afinamento de fundo continua avançando em silêncio.

Exame do couro cabeludo, com o cabelo separado por mecha

O exame começa pela separação

Antes de qualquer aparelho: o cabelo é separado em várias linhas, do alto da cabeça à nuca, para comparar densidade e calibre entre áreas. Uma queda que poupa a nuca e afina o topo já é, por si, uma informação diagnóstica — e ela aparece antes de qualquer exame de sangue.

O que a consulta procura

A linha do tempo

O cabelo responde com atraso. Por isso a consulta reconstrói os seis meses anteriores ao início da queda: cirurgia, parto, febre alta, infecção, dieta restritiva, perda de peso importante, início ou suspensão de anticoncepcional, medicação nova, evento de estresse intenso. É comum a pessoa não relacionar — o gatilho já ficou para trás quando a queda apareceu.

O padrão

Onde exatamente rarefez. A linha de implantação recuou? O alargamento é da risca central? A perda é em área bem delimitada? Há falha com pele lisa e brilhante, sem os pontinhos dos óstios foliculares? Cada resposta aponta para um grupo diferente de diagnósticos, e a última é um sinal de alerta que muda a prioridade.

Os sinais de alerta

  • Ardor, dor, coceira intensa ou descamação persistente no couro cabeludo.
  • Área sem os óstios foliculares, com pele lisa — pode indicar alopecia cicatricial, em que o folículo é substituído por fibrose. Aqui o tempo importa: o que se perde não volta.
  • Falhas arredondadas de início súbito, com pele normal ao redor.
  • Queda associada a outros sintomas — cansaço, ganho ou perda de peso inexplicada, alteração menstrual, pele muito seca, unhas frágeis.

Os exames, e o que eles respondem

Não existe painel padrão para todo mundo. O que se pede depende do que a consulta levantou. Em quadros difusos, é comum avaliar:

  • Hemograma e ferritina. A deficiência de ferro é a carência mais frequente associada a queda, e ela produz efeito mesmo sem anemia instalada — por isso a ferritina importa, e não só a hemoglobina.
  • Função tireoidiana. Hipo e hipertireoidismo alteram o ciclo do fio, e o cabelo às vezes é a queixa que traz a pessoa ao consultório.
  • Vitamina D, B12 e zinco, conforme o contexto alimentar.
  • Avaliação hormonal dirigida quando há sinais de excesso androgênico, alteração do ciclo menstrual, acne ou aumento de pelo corporal.

Ver cabelo e hormônios.

O erro mais caro

Começar tratamento tópico antes de saber o diagnóstico. Se a causa é ferritina baixa, seis meses de loção não resolvem o que um ajuste de ferro resolveria — e a pessoa conclui que "no meu caso nada funciona". O tempo perdido é o que mais dói na tricologia, porque o ciclo do fio não acelera para compensar.

Autoria e revisão médica

Dra. Gabriella Mandelli · Médica

CRM/SC 15414 · Atuação em harmonização facial e tricologia

Publicado em · Revisado em

Conteúdo informativo, sem finalidade promocional. Não substitui a consulta médica, não estabelece relação médico-paciente e nenhum resultado é garantido: indicação, técnica e resposta variam caso a caso. Harmonização facial e tricologia não constituem especialidade médica com registro de qualificação no CFM; Dra. Gabriella Mandelli é médica inscrita sob o CRM/SC 15414.

Dúvidas frequentes

Perguntas frequentes

Quantos fios por dia é normal cair?

A faixa mais citada é de até cerca de cem por dia, mas o número isolado diz pouco. O que importa é a mudança em relação ao seu padrão, o calibre do fio que cai e se há redução de densidade.

Preciso fazer exame de sangue?

Em queda difusa, quase sempre. Hemograma, ferritina e função tireoidiana são os mais frequentes; vitamina D, B12, zinco e avaliação hormonal entram conforme o quadro. O exame responde perguntas que a consulta levantou.

Quando a queda é motivo de urgência?

Quando há ardor, dor, descamação persistente, ou área de pele lisa e brilhante sem os pontinhos dos folículos. Isso pode indicar alopecia cicatricial, em que o que se perde não volta — e aí o tempo importa.

A avaliação vem antes
da indicação

Nenhum procedimento é decidido por telefone. A primeira consulta é para entender o que está acontecendo, o que tem indicação e o que não tem.